A Longevidade pode ser um problema?




A expectativa de vida aumentou consideravelmente na última década, devido aos importantes avanços na medicina e ao acréscimo de quantidade e qualidade das políticas sociais. As pessoas vivem hoje mais de que a expectativa original, porque são mais estimuladas, beneficiam de programas de envelhecimento ativo e cuidados de saúde de qualidade superior. Quando éramos novos, tínhamos a ambição de viver até aos 70; hoje, é bastante provável que possamos ultrapassar os 80.

Embora a longevidade tenha uma correlação direta com o desenvolvimento económico, o envelhecimento da população ameaça esse mesmo desenvolvimento – a menos que a sociedade consiga antecipar e adaptar os seus hábitos a esta tendência inevitável. Este já não é problema exclusivo dos países ricos; muitas economias emergentes estão perante a mesma tendência de envelhecimento da sua população.
Existem diversas adaptações recomendadas que poderão tornar a nossa sociedade mais capaz de enfrentar este envelhecimento: desenvolver uma maior literacia financeira entre a população mais jovem (um estudo realizado no Reino Unido revelou que apenas 1% da população planeou a sua situação financeira após a reforma), aumentar a participação da população mais idosa na força de trabalho e na sociedade, aumentar o reconhecimento do capital social associado aos seniores e redesenhar os sistemas de saúde para que privilegiem a prevenção e o bem-estar.


Entre estas recomendações, há algumas que podem ser de extremo valor e de implementação não muito complicada, nomeadamente a flexibilização e a remoção de obstáculos que permitam a participação dos mais idosos no tecido laboral. Em termos de flexibilização, podemos definir um conjunto de ações – desde a flexibilidade dos horários de trabalho, a adaptação das idades de reforma, ou políticas de mobilidade.   
E do lado dos empregadores, quais são as barreiras que podem retrair a empregabilidade de trabalhadores com mais idade? Poderão os incentivos à retenção destes trabalhadores ser medida suficiente? Estaremos a avaliar corretamente a oportunidade associada a uma população ativa com mais idade, envolvida na atividade das empresas, no voluntariado, na definição e orientação estratégica e na formação? A experiência e o discernimento estão a ser cada vez mais valorizados: “ Os jovens correm mais depressa, mas os idosos conhecem os atalhos.” O segmento da população que está a entrar na idade da reforma tem o potencial para desenvolver o crescimento económico, tal como fez no passado. Cabe aos governos, às empresas e a todos nós, promover as adaptações que permitam responder às suas necessidades no processo de envelhecimento ativo.
Claro que há inúmeras questões num país como Portugal, onde o desemprego – especialmente na população jovem – é alto e tem de ser combatido, o que implica medidas governamentais e incentivos para promover o emprego jovem. Como é que podemos conciliar estas medidas sem comprometer o esforço necessário de manter a ativa a população mais idosa?

Muitas questões, muitas dúvidas. Muitas ideias para serem desenvolvidas em breve…




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